Indiscreta Janela

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Pílula da viagem

Quando o avião subiu, tinha tanta nuvem, tanta nuvem, que me arrependi de ter escolhido sentar perto da janela. Aquela visão estava assustadora. Olhei para o assento do corredor, confortavelmente ocupado por um senhor de bigode engraçado. Por que não fiquei com o corredor?? Eu sei... Porque a vida é feita de escolhas, a gente tem que lidar com o caminho que quis seguir etc e tal. Além do mais, tenho a opção de fechar a janela e esperar as nuvens se dissiparem, certo?

Nem precisei fazer isso. De repente, o céu ficou mais claro. Enganou-se quem concluiu que as nuvens saíram do lugar. Quem saiu foi o avião. Não é incrível? Olhando pra baixo e vendo aquele "chão" de nuvens, percebi que o assento na janela foi a opção certa. Isso pode se transformar em uma lição de vida!

Em vez de aproveitar a "descoberta" e começar minha carreira como escritora de auto-ajuda (caminho fácil para o enriquecimento), lembrei da primeira vez em que viajei de avião. Eu tinha uns quatro anos e estava acompanhada da sogra do meu pai - que já não era mais a minha avó. Apreensiva, dei uma espiada pela janela e me espantei. "Eu pensava que as nuvens eram grudadas no céu!", foi a frase que eu soltei e que virou assunto nas conversas de família. Ainda bem que não são e que a gente pode passar por elas.