Indiscreta Janela

quarta-feira, novembro 03, 2004

As flores do 1.003

Elas não estão mais lá. Até porque, se estivessem, eu telefonaria para a vigilância sanitária! As flores da menina do 1.003 ficaram na mesa por mais de dez dias. Uma prova de resistência.

Como isso me impressionou, passei boa parte do meu tempo observando a vida da menina das flores. Tentei descobrir quem era o rapaz que merecia tanta atenção. Mas o cara não apareceu por lá. Casado? De outra cidade? Virtual? Não sei. Procurei fotos, roupas, alguma coisa que denunciasse a presença dele. Nada.

Na era do Sex and The City, seriado descolado sobre mulheres de 30, caras que mandam flores não estão, necessariamente, presentes. Histórias de amor podem durar horas, dias, um mês. A insistência em manter o arranjo na mesa foi uma tentativa da menina do 1.003 de prolongar a história. Mas aí, as flores murcharam antes que ela percebesse.

Não que isso fosse um problema. No dia em que percebeu, a menina tirou o vaso – agora com gravetos e pétalas soltas – e foi logo colocando uma papelada no lugar. Entre os diversos bilhetes, cartas e panfletos, avistei o cartão que veio junto com as flores. No verso, anotado de forma apressada, estava um número de telefone. Telefone de um outro alguém. Alguém que, um dia, poderia mandar orquídeas ou simplesmente tocar a campainha e aparecer.

***
Não sou a única bisbilhoteira!!! Cheguei em casa para almoçar e minha diarista estava parada no canto da sala, olhando para o nada. Passou um pouco e ela olhou para as mãos e se virou para mim: “Sabe de uma coisa? A empregada dali da frente trabalha o tempo todo de luvas...”. Ok... entendi... Na próxima semana, ela vai encontrar um par de luvas no armário da área de serviço.