Indiscreta Janela

quinta-feira, outubro 14, 2004

Lar, doce lar!

São cinco e meia da tarde e eu acabo de esvaziar a última caixa de papelão da minha mudança. O apartamento ainda está uma bagunça, mas já reconheço como a minha bagunça, da minha casa, minha nova casa. Meu lar.

Nos últimos três dias, não fiz outra coisa que não carregar tralhas, arrastar móveis, espirrar com a poeira e jogar coisa fora. Engraçado... eu tinha a impressão de que tudo o que eu havia trazido era tão útil... Como eu posso ter encaixotado tanto lixo???

Enfim... acabo de decretar o fim da mudança e o início de uma vida. Apê novo, porteiro novo, vizinhos novos. Não dá para continuar levando a mesma vida. Ou dá? Será que a gente carrega a vida da gente do mesmo jeito que carrega os livros, discos, pratos e talheres? Ih... olha a paranóia voltando... Resolvo tomar um ar para espantar os fantasmas que insistiram em seguir o caminhão de mudanças.

Respiro fundo, abro a cortina e a janela. Na minha frente, outras muitas janelas. Caramba! Que prédio enorme! Já passa das seis, o movimento dentro dos apartamentos é grande. Tem cozinheira se apressando para aprontar o jantar, mãe e filho voltando da escola, homem estressado com pasta na mão entrando em casa e batendo a porta. Quanta coisa acontecendo ao mesmo tempo!

Como estou na minha última semana de férias, decido passar um tempinho olhando para aquele monte de janelinhas. Fico ali, meio invisível, observando e tentando adivinhar o que se passa em cada apartamento que minha vista alcança. Em alguns casos, consigo ouvir as vozes e montar pedaços de diálogos. Cada história...