Indiscreta Janela

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Sexo animal

Cena bizarra: o cachorrinho do 1.007 está pendurado na perna do dono, fazendo movimentos estranhos... como se a pobre perna fosse uma sedutora cachorrinha, se é que vocês me entendem.

A vida sexual dos animais me intriga. Fico pensando se, não fossem as convenções sociais, nossa vida seria daquele jeito. Agiríamos por instinto, sem nem querer saber se o objeto de desejo é um atraente ser do sexo oposto ou uma perna cabeluda de um ser de outra espécie?

E a interferência humana nessa história toda? Acho uma sacanagem castrar o animal. Dizem que penso assim porque não tenho nenhum bicho de estimação. Se tivesse, saberia a dor de cabeça de administrar uma gata no cio ou um cachorro louco para atravessar as grades do canil e se atracar à primeira cachorrinha da esquina.

Talvez eu não tenha experiência para julgar. Meu peixinho, o Hermeto, morreu virgem. Eu bem que tentei arrumar uma namorada pra ele, mas quando soube como era o processo de acasalamento, desisti. Os betas praticamente se espancam antes de copular. Tô fora. Sexo selvagem só com a anuência de ambos.

***
Falando em animais, minha prima tem uma cadela linda, a Pepper. Um dia, a Pepper virou mocinha e passou a entrar no cio. Ao ver e ouvir tantos galãs no lado de fora, não teve dúvidas: cavou um buraco na cerca e foi em busca da felicidade.

Voltou na manhã seguinte, imunda, meio machucada, mas um olhar atento podia até identificar um sorriso de satisfação. Minha prima ficou louca. Sabe-se lá com quem a Pepper andou pela madrugada...

No auge do desespero, abriu a gaveta e sacou uma arma poderosíssima de lá: a pílula do dia seguinte. Remédio elaborado para consumo humano, claro. Mas não custava tentar.
A cadela não ficou prenhe, não sei se por conta do medicamento. Só sei que, uns cinco meses depois, Pepper fugiu novamente. Dessa vez, minha prima estava viajando e não pôde providenciar os primeiros-socorros. Nasceram 10 lindos vira-latas...

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Passei o fim de semana em uma cidadezinha do interior. Janela é o que não falta. E os moradores passam o dia ali, cabeça apoiada nos cotovelos, vendo a vida passar. Não sei por que, mas me identifiquei com a cena...