Primeiro de abril
O vizinho da frente está no sofá, morrendo de rir da namorada. Ela está com cara de quem comeu e não gostou. No início da brincadeira, até riu, fingiu que estava brava, deu uns socos no braço dele. Mas agora, acho que ela está com raiva de verdade. Também... as risadas do cara já duram mais de quinze minutos!
O que aconteceu foi o seguinte: ele pregou uma mentira nela. Hoje é primeiro de abril, dia internacional das pegadinhas (descobri que era internacional outro dia, na aula de inglês). Não sei o que o moço disse, mas a pobre coitada da namorada entrou em casa esbaforida, como se algo muito grave tivesse acontecido com ele. Abriu a porta e deu de cara com o bonitão, inteiro e sorridente, cheio de amor para dar, dizendo como uma criança: “Primeiro de abril, primeiro de abril”.
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Já passei por 29 Dias da Mentira. Tirando os primeiros anos de vida – nos quais não tinha nem discernimento para saber o que era mentira ou verdade –, eu SEMPRE caí em TODAS as pegadinhas. Na época da escola, saía de casa tensa, preparada para me defender dos mentirosos de plantão. Aí, chegava na sala de aula, começava a fazer um dever aqui, outro ali, relaxava e... pumba... caía como um patinho.
Com o tempo, fui ficando mais esperta. Não tão esperta a ponto de deixar de acreditar nas histórias mirabolantes, mas, pelo menos, arrumei um jeito de me sair bem. Fulaninho chegava e contava aquela mentira. Eu, claro, levava tudo a sério até o grande momento do “hahaha, primeiro de abril!!!”. Aí, com toda a autoridade do mundo, eu dizia: “Ficou louco? Primeiro de abril é amanhã. Hoje é dia trinta e um!”. Não tinha um que não hesitasse. E essa era a hora de eu encher o peito de ar e, finalmente, dizer: “Primeiro de Abril!!!!!!”
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Recadinho pessoal para dois amigos queridos que me fizeram de boba hoje: azeite, seus malas!
