Venha ver o pôr-do-sol
Foi de uma janela, mas não da minha casa. Parei para ver o pôr-do-sol. E não existe nada mais libertador do que isso. Minha cidade, no centro desse país abençoado por Deus, é uma cidade de horizontes. Tudo muito plano, o céu fica enorme.
No caminho para casa, tem uma praça que – tenho certeza – foi construída só pra gente poder ver o sol se pôr. E foi lá que eu fiquei ontem, observando de dentro do carro. Já fiz isso várias vezes – algumas a dois, outras sozinha mesmo. Ouvindo a música predileta ou em silêncio absoluto. E toda vez que faço isso, saio de lá feliz da vida.
Lembro que, quando estava na quarta ou quinta série, as meninas da turma tinham um caderninho, no qual respondíamos um monte de perguntas: “qual o seu nome?”; “quantos anos você tem?”; “quantos filhos você quer ter?”; “escreva o nome de uma pessoa que você admira muito”; “você é virgem?” (nessa, meu namorado da época deu uma resposta superesclarecedora: “mais ou menos”!!!!)
Lá pela trigésima pergunta, a dona do caderno pedia pra gente escrever um pensamento. Tem um que não esqueço – estava em todos os cadernos, era o pensamento da moda. “Se você se esforça para fazer algo e nunca é reconhecido, não se preocupe. O sol dá um maravilhoso espetáculo todas as manhãs e há pessoas que continuam dormindo”.
Como eu adoro dormir e raríssimas vezes vejo o sol nascer, resolvi adaptar a frase e admirar o pôr-do-sol. Vale a pena. Eu, se fosse você, faria o mesmo. Hoje, agora, já. E me liga depois que o sol for embora. Beijo, tchau.
* Venha ver o pôr-do-sol é o nome de um conto da Lygia Fagundes Teles que li no colégio e até hoje me impressiona. Não tem nada a ver com essa história aqui, mas é legal.
